
Em 1651, o governador de Macau, ao escrever para o Vice-rei de Goa sobre os esforços para a guarnição, pediu-lhe que enviasse reinóis e escravos negros, que eram duros e belicosos, ao contrário dos mestiços da India, que, como soldados eram inúteis.
Em Angola, o exército português era dividido em quatro classes militares: a Tropa de 1ª linha, de 2ª linha, Ordenanças e os Empasseiros ou Gente de Guerra Preta, fornecida pelos Sobas, termo do idioma bundo que significa Capitão do Povo. A gente de guerra preta era constituída de escravos de confiança. Alguns formavam os Kilombos Jagas (acampamentos militares ou arraiais).
Os Jagas eram extremamente ferozes e duros em combate e aterrorizavam imediatamente toda a guerra preta do adversário. Eram indivíduos de diversas tribos, reunidos em um grupo, treinados desde pequenos para a guerra e só para esse fim.
Na guerra só usavam arcos, flechas e o punhal.
O uso militar do escravo era uma prática comum na África e como muitos dos escravos africanos chegados à América Portuguesa eram prisioneiros de guerras étnicas naquele continente, alguns deles, por suas habilidades militares e aptidão, eram empregados em atividades de defesa, seja de poderosos locais ou de governantes.
Por exemplo o Reino de Songai chegou a contar com um exército com cerca de cinquenta mil escravos.