O encontro de povos na Guerra Brasílica: brasileiros, portugueses, africanos, espanhóis e neerlandeses
Um dos grandes motivos da presença neerlandesa na América hispano-lusitana e mais especificamente na então capital do Estado do Brasil (Salvador) foi em grande medida, o interesse da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (1621) de controlar a então maior região produtora de açúcar do mundo pelo fato da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos estar em guerra contra a Espanha.
Em 1624, neerlandeses comandados por Jacob Wliekems e Joham van Dorf, tomaram Salvador, mas foram expulsos no ano seguinte pela conjugação de tropas pernambucanas e pela esquadra luso-espanhola de Fradique de Toledo Osório( a união ibérica ocorre de 1580 a 1640). Nesse primeiro contato os neerlandeses teriam sido recepcionados por muitos escravos fugitivos, que lhes ofereciam serviço militar com arcos e flechas, antigas espadas espanholas, escudos redondos e armas de fogo - uma prática comum em várias localidades da África. Dessa forma, alguns escravos conseguiram a liberdade como recompensa por sua atividade bélica. A oferta do serviço militar tornava-se um instrumento de barganha, pois os portugueses logo ofereciam a liberdade aos escravos que servissem ao seu lado.
Para Pernambuco foram enviados corpos militares compostos por índios e negros. Os índios eram liderados por Felipe Camarão e os negros por Henrique Dias. As técnicas e táticas de guerrilha adotadas pelos terços de índios e negros eram baseadas no conhecimento e utilização do terreno. As Companhias de emboscada caiam de surpresa sobre os inimigos descuidados que se encontravam atrás da linha de frente dos combates.
Abria-se, após muitas batalhas como montes das Tabocas(1645) e Guararapes (1648 e 1649), caminho para o mito de Henrique Dias e dos terços de homens negros.

A foto ao lado mostra o interior do Hotel Convento do Carmo, em Salvador - BA. No passado o local foi também um forte militar.